quarta-feira, 7 de setembro de 2011

VOCE QUE É JORNALISTA OU AFIM, LEIA ISSO!!

 Na cidadezinha balneário de Naples, Flórida, o quinto andar de um inexpressivo prédio de escritórios aloja o quartel-general da Private Capital Management, até recentemente uma firma de administração financeira pouco conhecida, que discretamente cuida dos investimentos de famílias abastadas. Mas, com uma única carta pondo a venda a Knight Ridder, Bruce S. Sherman, de 57 anos, o co-fundador da Private Capital, que não gosta de aparecer na imprensa, catapultou a si mesmo para as páginas de negócios de virtualmente todos americanos. Num momento em que Wall Street encara os jornais como uma indústria cambaleante, Sherman apostou US$ 4 bilhões de que os jornais sobreviverão à violenta investida da internet. Os clientes de Sherman possuem grandes nacos de nove empresas jornalísticas, entre eles, 19% da Knight Ridder, 15% da The New York Times Co. e 17% da Gannett, entre outros. Quando as manifestações de interesse pela Knight Ridder vierem, Sherman poderá sentir melhor se seu enorme investimento foi uma aposta certa ou um ato de obstinação.

Múltiplas ofertas pela Knight Ridder - que, com 32 diários é a segunda maior cadeia de jornais dos EUA, perdendo apenas para a Gannett - irão ressaltar o valor dos jornais. Mas a falta de interesse despertará a preocupação do investidor num momento em que seu desempenho é fraco.

Os antecedentes de Sherman são espetaculares. A Private Capital, que agora possui US$ 31 bilhões em ativos, produziu um ganho anualizado de 20,7% no decorrer dos dez anos completados em 30 de setembro, impelida pelas apostas hábeis em empresas que vão desde a Apple Computer até a International Gaming Technology e a Qualcomm. Quatro das empresas nas quais a Private Capital tem grandes participações acionárias, incluindo a International Dairy Queen, foram vendidas para a Berkshire Hathaway, a empresa de investimentos de propriedade de Warren Buffett.

Mas o desempenho da Private Capital estava em baixa de 0,06% no fim de setembro, desalentado em parte pelas empresas jornalísticas, pois todas as nove apresentaram declínio. As ações de seis dessas empresas caíram ao menos 14% este ano. Seus investidores podem ter um refresco. Desde 1º de novembro, quando a carta de Sherman colocou a Knight Ridder em jogo, suas ações subiram 14%, de US$ 53,38 por ação para US$ 60,82 na última quarta-feira.

Para investidores como Sherman, há um fundamento lógico para pôr dinheiro num negócio que é monopólio - freqüentemente, os jornais locais são os únicos no seu mercado. Evidentemente, ele acredita que as ações podem continuar gerando dinheiro vivo, que pode ser usado para comprar de volta ações e elevar os lucros. Sherman se recusou a fazer comentários para este artigo.

Os investidores também argumentam que os jornais têm espaço para reduzir custos. E, embora a internet tenha roubado receitas com circulação e propaganda dos jornais, os investidores dizem, ainda, que as empresas jornalísticas acabarão podendo fazer muito dinheiro com a internet. Por exemplo, a CareerBuilder.com, um site para pessoas que procuram emprego, é de propriedade conjunta da Knight Ridder , da Tribune Co. e da Gannett, e poderá valer US$ 1 bilhão para a Knight Ridder.

"Eles precisam ser agressivos no desenvolvimento de suas posições na internet", disse Henry R. Berghoef, diretor da Harris Capital, que possui 8% da Knight Ridder e está insistindo com a venda da empresa. "Eles têm tido sucesso e acho que terão ainda mais", disse. "E os jornais não vão desaparecer."

Esta não é a primeira vez que Sherman aposta pesadamente num único conjunto de ações ou setor. Atualmente, possui 14,8% do fundo da Computer Associates e cerca de 17% do setor de serviços financeiros - mais do que sua participação acionária de 13% em jornais. Mas alguns investidores preocupam-se que o tamanho da Private Capital possa se transformar numa desvantagem.

"O tamanho nos preocupa porque as opções de investimento são mais limitadas", disse Peter J. Tanous, um consultor de investimentos cujos clientes têm dinheiro aplicado na Private Capital. "Bruce está apostando que gerará valor para seus acionistas. Mas, se estiver errado, ele perde porque está encalhado com elas. E levaria anos para sair dessas posições." Mesmo assim, acrescentou Tanous, "se eu fosse apostar em alguém, sea em Bruce Sherman que poria meu dinheiro".

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