sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013




NUA E CRUA
O amigo e jornalista Orlando Eller sempre envia mails interessantes. Vou repassar este com contem texto incrível, com seu autor e tudo mais. Obrigado Eller.

Intimidade
Luiz Felipe Pondé

Duas coisas me encantam: o amor e a intimidade. Sou daquele tipo de pessoa que tem preconceito contra quem não é capaz de se sujar de intimidade.
Sou um homem de obsessões. Uma delas é que não controlamos a vida. Mas, mesmo assim, devemos tentar ter algum controle sobre ela. Ao final, sempre somos derrotados. Se pensarmos nisso, nada vale a pena. Mas, antes da morte, tudo vale a pena justamente porque nunca venceremos a batalha. Não há qualquer outra dignidade na vida além da do herói épico que combate 1 milhão de inimigos. 

Revi o maravilhoso "Revelações", com Anthony Hopkins (Coleman Silk) e a bela Nicole Kidman (Faunia Farley). O filme é baseado no romance de Philip Roth "A Marca Humana".
Este romance guarda um segredo que não deve ser revelado, sob pena de destruir seu impacto. Ele devia ser lido por todo mundo acometido da doença do século: a superficialidade de alma. Não se combate essa doença com alguma teoria sobre a vida (como pensam os superficiais ilustrados), mas unicamente com o mais puro impasse. 

Silk é um "scholar" de literatura que tem sua vida destruída porque usa a palavra "spook" ("fantasma", mas que tem um segundo possível significado, "negro", no sentido pejorativo) para dois alunos que nunca iam à aula.
Apesar de que ele não os conhecia, e, portanto, não sabia que eram negros, os dois alunos "se ofendem" mortalmente e, por isso, Silk sofre um processo na universidade por racismo. É humilhado por seus colegas. Pede demissão. Sua mulher morre do coração de desespero. Ele tem sua vida arruinada. A universidade, como sempre, quanto se trata de política, é o pior antro de canalhas da face da Terra. 

Intelectuais são os "comissários do povo" mais temíveis da história. Comissários do povo eram canalhas comunistas que serviam a ideologia do partido. Intelectual com ideologia deve ser evitado como uma praga.
Sou um vocacionado à tristeza, mas resisto bem. As pessoas a minha volta sempre me salvam, mesmo que sem querer. Livros e filmes como esses me deixam felizes porque vejo neles o que vejo em mim: o sentido da vida que brota do fracasso, do impasse. 

Roth sempre narra como indivíduos são esmagados por processos históricos. Neste caso, a hipocrisia neopuritana que se alimenta do antirracismo, fruto imundo da luta pelos direitos civis nos EUA, e que corrói a universidade como uma "peste do bem". Todos devem provar que não têm preconceitos (como em outros tempos teriam que provar a fidelidade ao partido ou a pureza racial) e, por isso, as palavras e os gestos são controlados no detalhe. 

Coleman e Faunia se apaixonam. Ele, um velho deprimido ("Graças a Deus inventaram o Viagra"), ela, uma jovem pobre desgraçada, faxineira, com três empregos, que "matou seus filhos" num incêndio, espancada pelo marido, abusada pelo padrasto, abandonada pelos pais.
Todos são contra. Seus amigos, ex-amigos, inimigos, advogado. Ele é acusado de abusar de uma mulher jovem e pobre. Mulheres mais velhas odeiam quando mulheres mais jovens se apaixonam por homens mais velhos. Ela é acusada de querer dar o golpe da barriga. Ele é culto e sofisticado, ela fala "to fuck" ao invés de "fazer amor". Vulgar, se veste mal e limpa a merda dos outros o dia todo, todos os dias. 

Mas eles têm aquele tipo de amor que brota dos restos do gozo e da intimidade suja, do afeto úmido que mora entre as pernas das mulheres. Um microcosmo no qual o materialismo vence sua pobreza. Uma vitória do corpo sobre o medo.
O filme é uma profunda prova do fracasso do sentido das coisas. Tudo na narrativa constrói a destruição do sentido da vida. O único lugar onde Coleman e Faunia existem é na solidão gloriosa do sexo.
Num dado momento ela chama a atenção dele para que tudo que existe entre eles é sexo. Ele insiste que não. Ela diz para ele que ele pensa assim porque não faz sexo há muito tempo. 

A intimidade física entre uma mulher e um homem é de fato uma das maiores experiência da vida. Em meio aos restos dela, no encontro entre a saliva e o sexo, podemos encontrar alguma alma que valha a pena. 


MENSAGEM FINAL

O amor com seus contrários se acrescenta. Luiz Vaz de Camões


ERA ERRADA

Conforme o avanço da tecnologia mais as pessoas emburrecem. Mas alguém já disse La no passado que a máquina não pode substituir o homem. Então o homem não poderá fazer da maquina um ser humano.
Hoje em dia existem muitas coisas erradas por culpa maior do avanço tecnológico, por incrível que pareça. 

Começamos com o atendimento ao telefone. Com a proliferação dos celulares, o telefone fixo virou uma peça nula. Talvez por isso que os call centers atendem tão mal, principalmente das operadores de telefonia, internet e televisão.

As telefonistas ou quem atende órgãos públicos idem. Supermercados com movimento idem; telefone de policia idem (demora), o mesmo acontece com Emergências. Precisou do telefone ou se comunicar na hora que você mais precisa, não conte com o telefone.

E aqueles setores como, por exemplo, de imóveis. Quando querem alugar ou vender, treinam seu pessoal para mentir para o cliente. Só pode. O cliente compra ou aluga e quando vai ver não nada daquilo. Isso ainda é burlar ou é coisa normal nos dias atuais?

Desconfio dos médicos, dos mecânicos, profissionais que antes exerciam total confiança na gente. Hoje tem médico que “apenas receita” e nem pede para a gente voltar. Se voltar tudo bem, senão voltar amém. Está assim mesmo!

Essa é uma era de avanço, mas quanto mais avançamos mas para perto do abismo chegamos, abismos da ignorância, da frieza, do descaso, da incompetência, da desculpa. Tivemos um presidente da republica que nos deu o exemplo disso. Ele fazia e nada sabia. Reflexo do povo que aceita tudo.

MENSAGEM FINAL
Eu escuto e esqueço. Eu vejo e me lembro. Eu faço e entendo. Confúcio (Kung-Fu-Tse)









MINHA GAFE, MEU ERRO

Experiência não quer dizer grandes coisas. Quando eu pensei que já quase dominava minha profissão, eis que dei uma “escorregada” daquelas horríveis perante toda audiência e sem poder voltar a trás.

Sempre lidei com entrevistas, mas nunca fui um especialista. Ultimamente, alem de fazê-las no radio, faço muitas também na televisão, que é um pouco mais difícil. Mas o que ocorreu foi no radio. Ainda bem.

Fui entrevistar membro do time de futebol americano de Vila Velha, os Tritões, que vem fazendo relativo sucesso não só aqui, mas no Brasil.
Arrisco a dizer que é uma modalidade de jogo nova para muita gente. Mas eu sempre vi esse jogo nos canais fechados. Mesmo não sendo fã.

Bem, uma vez vi uma matéria e nela havia fotos de alguns dos jogadores do Tritões com idade avançada. Li a manchete e meu cérebro aliou a imagem com o nome. Ficou “Trintões” para mim. Por absoluta falta de atenção (que não pode ocorrer na nossa profissão) não percebi a logomarca (tridente) na camisa do time

Na entrevista, comecei falando dos “Trintões” e acho que o entrevistado, membro do time,  não havia percebido ate a hora que, numa total gafe, perguntei se o nome do time era porque os jogadores tinham trinta anos ou mais. Foi quando ele percebeu, sorriu e arrematou: Não, o nome é T R I T Õ E S, O GARFO DE TRES DENTES. Me recompus e dei a desculpa que não tinha percebido isso. Ridículo de minha parte.

Mas levei a entrevista ate o final. Coloquei no credito de outras mil que já fiz bem e corretas de alguma maneira. Mas foi uma gafe e tanto!



MENSAGEM FINAL

Não se sinta constrangido por seus erros. Nada pode nos ensinar tanto quanto compreendê-los. Este é um dos melhores caminhos para a auto-educação.
Thomas Carlyle



POLITICA DESVAIRADA

Coisas incomuns estão acontecendo na política este fim de ano. Pode ser efeito do partido político PT, pode ser que não. O episodio do Congresso Nacional, inclusive com  Rose de Freitas no comando das duas sessões que tiveram duas visões distintas, a nossa, capixaba e carioca e a outra, do restante do país.

Depois, acho por não ter sentado na cadeira da mesa nesses dias, o titular da Câmara, o deputado Marcos Maia usou ineditamente (por um simples deputado) o horário usado por autoridades maiores no radio e na televisão. Afinal quem é ele para isso? Um deputadozinho de São Paulo.
O julgamento do mensalão trouxe uma discussão incabível entre o Ministro Joaquim Barbosa e este deputado, o que poderia ser evitado. Mais uma vez: Afinal quem é ele para isso? Um deputadozinho de São Paulo.
Por fim Lula desobedeceu aos gurus do partido e chamou a oposição (FHC e Cia) de “vagabundos”, saindo totalmente da linha, ou seja, voltando as origens.
Estava pe
nsando em fazer esse artigo quando estava na fila de espera do Banco do Brasil (Ag. Av. Rio Branco – Vitoria ES), que me deixou 50 minutos esperando para um simples atendimento de três minutos.
Claro que reclamei na Ouvidoria. O ar condicionado do banco funcionava bem, não estava como o Aeroporto Santos Dumont, no mesmo horário, onde os passageiros suavam á bicas. Uma vergonha nacional.
E que venha a Copa e as Olimpíadas e que nenhum turista seja assim tão mal atendido num banco do governo que PROMOVE isso tudo.


MENSAGEM FINAL
Comer em excesso não é tido como pecado por muitos, porque não produz nenhum mal que se possa notar. Porém há pecados que destroem a dignidade humana, e comer demais é um desses. Conde Leon Nikolaievitch Tolstoi


REPORTAGEM LIVRE

Ás vésperas de trabalhar novamente com uma TV de ponta, a Record News, estava eu reparando uma reportagem de externa feita por desses jornais da TV Gazeta.
Era noite e o repórter cobria uma feira, se não me engano de artesanato. O modo com que ele falava e se locomovia me chamava a atenção e digo porque, pois era diferente.

Um dos meus antigos mestres na comunicação disse que o repórter de externa deveria relatar apenas o que via. Não fazer texto de entrada de saída e muito menos pontos para ler frente á câmera numa externa.
Este repórter parecia fazer justamente relatar o que via. O texto saia livre, solto, sem os mesmos chavões, rotineiros em qualquer reportagem de TV.

Era gostoso de ver, ele parecia muito desenvolto, a gente sentia que ele criava as frases, as palavras, não se importante com os esquemas rígidos e ridículos da reportagem externa atual.

Mas pode ser que ele tenha fugido a regra, pode ser que tenha sido chamado a atenção, pois pode ser que seu editor, seu diretor de reportagem tenha sido formado nessas faculdades particulares da vida, onde quem ensina nunca tem esse tipo de genialidade, coragem para mudar.

Acho e começo a pregar um estilo de reportagem externa mais solta, como o repórter de radio. Já ficou chato a clareza, a limpidez dos repórteres que entram, fazem a reportagem sem nenhum erro, sem nenhum arranhão. Já é coisa do passado.


MENSAGEM FINAL
Se alguma coisa o aborrece depois de 2 minutos, tente 4. Se continuar aborrecendo, tente 8, 16, 32, e daí em diante. Eventualmente descobrirá que já não aborrece, mas que é muito interessante. Provérbio