GONÇALVES & MIGNONE
Nada caiu tão bem como a fusão das famílias Gonçalves e Mignone através de Tio Gino e Tia Helena. Dela, a candura e a melhor maneira de tratar a todos. Dele a sempre fisionomia serena e simpática. As duas famílias sempre foram numerosas e quando conseguiam reunir a metade só de cada, era aquele amontoado de gente se confraternizando. Ganhamos muitas tias emprestadas, com as irmãs de Tia Helena.
Com seus inúmeros sobrinhos, os dois sabiam ser o porto seguro de todos, tanto que até quem não é sobrinho a chama de tia. Os filhos mais velhos – Marilena e Mauricio – sempre foram mais que primos, talvez por serem os primeiros. Quando a gente ia comer a macarronada de Tia Helena, sempre encontrava por lá Tia Ení, a Dinda, talvez um Tio Romildo.
Lembro das férias de Marataizes, com nossas casas no mesmo quarteirão na praia principal e na frente às castanheiras. Mais um pouco, o campo de vôlei e nele jogando Mauro Perereca e Sergio, o outro sobrinho de Tia Helena que partiu cedo demais. De pano de fundo a isso tudo, tinha a igreja sob as pedras, os barcos na areia e o mar.
A sua macarronada – a melhor do planeta – tinha massa de tomate queimada na frigideira e peito de boi, dando consistência. Naquela época não fazia mal comer tanto assim. Ao lado, pão fresco cortado em fatias. Tia Helena disse ter aprendido com a avó Rosaria, mas foi ela que manteve a tradição.
Flamenguista inveterado – tanto que todas as filhas, quando novas, faziam questão de sair com a camisa do time quando vencia – Tio Gino teve por muito tempo um carro Brasília branco onde serviu de muitas viagens para Vitória e me lembro de estar numa delas. Lembro das pescarias dele com Zé Américo na Ponta do Siri, e com Tio Lelé dando rasantes sob as varas de pescar com seu avião. Memórias!
O nome de Tio Gino era o mesmo do avô dele Ângelo Maria Mignone, talvez por isso foi o único a tentar preservar e avançar na historia deste imigrante italiano que chegou ao Brasil, vindo direto do Rio – onde desembarcou – para o ES. Na sua casa em Cachoeiro, tem guardado do avô as fotos da comuna de Teora, nossas origens na Itália, de Cachoeiro antiga, a faixa de vice-cônsul da Itália, e o brasão da primeira maçonaria de Cachoeiro – Fraternidade e Luz – que ele, o avô, ajudou fundar.
Os dois, Tia Helena e Tio Gino, sempre formaram um casal perfeito. Nunca ninguém viu uma briga, uma discussão ou desavença. Eles marcaram a personalidade de muitos Gonçalves e muitos Mignones.

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