quinta-feira, 23 de junho de 2011

FESTA DE CACHOEIRO

Era uma verdadeira festa do interior. Hoje já não é mais, perdeu um pouco da graça. Não tem mais a vontade de encontrar os amigos na Praça Jerônimo Monteiro, os que estão fora encontrando aqueles que não saíram e vice e versa. Cachoeiro cresceu, dispersou o pessoal e os que ficaram não tem mais a bucólica praça – a mesma do Ronnie Vonn – para ficar batendo papo em seus bancos, não tem mais os lacerdinhas e tampouco o busto de Newton Braga - o criador do Cachoeirense Ausente – bem á vista, como se participasse daquilo tudo.

Antigamente a festa da cidade tinha três grandes e certas atrações: A Exposição de Gado, que era legal no Parque Aristides Campos, O Baile á Rigor, tradição do Caçadores Carnavalescos Clube e o Desfile cívico-militar, que tinha como trajeto a 25 de Março, Praça Jerônimo Monteiro e Rua Capitão Deslandes, terminando no Cine Broadway. Claro que tem ainda as homenagens na Câmara, na Praça e na Safra. Mas será que a Lira de Ouro faz aquele desfile pela madrugada do dia 29? Ou um grande clube do Rio joga com o combinado Cachoeiro-Estrela?

Não é nostalgia, é a realidade dos tempos. Tudo muda. Mas nesta quarta 29, Dia de São Pedro, Dia de Cachoeiro, José Américo Mignone, o Cachoeirense Ausente deste ano deverá estar matando saudades daqueles que um dia passaram pela Radio Cachoeiro como Alvino Cabelino, Miltinho Santos, Xerife Cesário, Sabra Abdala, Elyan Peçanha, Luís Carlos Santana, Solimar Cagnin, Hélio Carlos Manhães, Ze Nogueira, Ruy Guedes, Danilo Neves, Laura Costa, Idalecinho Carone, sentindo saudades de Cliveraldo Miranda, Mozart Cerqueira, César Misse. E tudo sob os auspícios do prefeito Roberto Valadão, ícone do PMDB

Em homenagem, publicamos em seguida uma crônica feita pelo Cachoeirense Ausente deste ano, transcrita do Jornal O Mirante, do primo Maurício, em seu último número. Nela, José Américo fala de suas ligações com Newton Braga, o criador do titulo que ele agora recebe.


AO MESTRE COM CARINHO
José Américo Mignone

Muita gente estranhava o fato de um jovem, como eu, bater um
papo com um senhor bem mais velho. Eu não. Considerava muito
natural ir, vez por outra, visitar meu diretor da Rádio Cachoeiro em
sua residência na rua Cel. Monteiro, o mestre Newton Braga, para
uma boa conversa e sorver um pouco de sua inteligência e sabedoria.
E quantas!

Na acanhada varanda de entrada do prédio de dois andares, tijolinho
á vista, de fronte a mansão do inesquecível Cel Ricardo Gonçalves –
onde um pé de sapoti me atraia, sempre – ele ali ficava vendo o tempo
passar, tendo ao lado uma velha moringa de barro.

Jamais perguntei se a água era fresca ou mesmo nunca pedi um
copo. Eu o conhecia bem. Sabia o que tinha dentro da moringa

Nossos encontros eram mais para eu recolher o material que ele
preparava – geralmente escrito á mão em papel de embrulha pão.
Aquele papel cinzento que já não se usa mais, para depois de datilografado
por mim, ser remetido para os Cadernos Literários dos então famosos
jornais Correio da Manhã e Diário de Noticias, do Rio de Janeiro.

Eu ficava orgulhoso na Segunda-Feira quando lia nos jornais a coluna de
Newton Braga, intitulada “Casos e Epigramas”, inclusive um caso
em que Dr. Newton me disse que o protagonista era eu mesmo. E
contou o caso no jornal, cujo título era um tango gravado por um
cantor de nome Déo, e intitulava-se “Fumando Espero”.

Dizia ele: - Finalmente já não ouço mais, da eletrola do vizinho, o terrível
tango “Fumando Espero”. A filha do meu vizinho arranjou um namorado,
o que serviu para aliviar meus ouvidos!!!

MENSAGEM FINAL
Dos prazeres nascem tristeza e medo. Aquele que é livre dos prazeres não tem medos e nem tristezas. Provérbio Budista

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