sábado, 3 de setembro de 2011

EU VOLTEI (mãe)

Eu cheguei de volta ao sobrado, não tinha mais o cachorro, não havia sorriso. Cheguei e
minha mochila coloquei no chão. Tudo ainda estava como era antes, apesar de tantos anos, nada se modificou. Acho que só eu mesmo mudei,e feliz porque voltei

Resolvi voltar, decidido a ficar, simplesmente porque aqui sempre foi o meu lugar. Honro as raízes, então voltei para as coisas que um dia deixei. De tudo que passei, eu voltei. Subi devagar as escadas, a primeira de mármore, a segunda de cimento

Chegando, vi as duas portas, fui abrindo a da direita devagar, pensei em deixar a luz entrar primeiro, clareando todo um meu passado e, emocionado entrei. Vi meu retrato, não pendurado na parede, mas no porta-retrato sob a mesa. Parecia perguntar onde andei todo esse tempo...e eu falei

Me perdoe, onde andei não deu para ficar. Sempre achei que aqui era o meu lugar. Eu retornei para resgatar as coisas que aqui deixei...por isso voltei. E depois de tanto e tanto tempo, havia alguém a minha espera. Então meio indeciso caminhei, não agüentei mais e parei....

Quando alguém com os braços abertos , me envolveram num abraço como antigamente, garganta presa, quis falar, dizer onde andei e não falei...apenas chorei. E em seus braços, em silencio fiquei...voltei para ficar porque aqui é o meu lugar.


É assim que deveria ter acontecido. A gente aprende só depois que passa. E Roberto Carlos, cachoeirense como eu, nunca foi tão feliz e realista quando fez e cantou a musica O Portão, uma das mais bonitas feitas neste país e que ousei adaptar para abraçar novamente a minha mãe.



MENSAGEM FINAL
Sentimos saudade de certos momentos da nossa vida e de certos momentos de pessoas que passaram por ela. Carlos Drummond de Andrade

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