SERGIO SAMPAIO
Vendo uma matéria feita pela Tv Assembléia sobre Sergio Sampaio, veio na memória se aquele seria o mesmo Sergio. Muita reverência, muita tietagem. Tudo bem que ele optou por ser intérprete de uma musica mais controvertida. Tanto assim que seu principal parceiro musical, Raul Seixas, fez um estilo contestador, mas foi um pouco mais brando. Achamos que Sergio merece todo esse “revival” , mas nós, que convivemos com ele uma fase profissional grande, notamos ser estranho tudo isso.
O relacionamento com Sergio Sampaio vem de antes de atuarmos juntos na Radio Cachoeiro nos idos anos de 1967-68. Muito antes disso, a mãe de Sergio, D. Lourdes foi nossa professora no Graça Guardia, que operava a tarde no Liceu. E também o conhecimento familiar com seu tio, Raul, conhecido por integrar o Trio de Ouro e não por ser autor apenas de Meu Pequeno Cachoeiro e muito menos por ter sido gravado por Roberto Carlos, o que não deixou de ser uma obrigação.
Sergio era contestador de natureza. Ainda na Radio Cachoeiro, antes dos 18 anos, ele quis ler Metamorfose de Frank Kafka e impressionado, comentava as alucinações deste escritor. Para vocês terem uma idéia, o livro começa assim: “Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregório Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso....” Ao mesmo tempo que era locutor do período da tarde, onde lia a Ave Maria, as vezes era escalado para interpretar as famosas crônicas de Florisbelo Neves com o titulo de No Fim da Manha, lida diariamente as 11:50 por Jose Américo Mignone. Sergio era bom locutor, apesar de fumar inveteradamente.
Teve uma fase que fomos separados, pois viemos para Vitória e ele foi para Rio. O engraçado que não recordamos do Sergio cantar em algum lugar da radio ou mesmo de manisfestar ser fan de alguém, pois na época quem dava as cartas era Chico, Gil e Caetano, além, claro de Roberto. Depois de muito tempo, voltamos ver Sergio Sampaio, que como nós, dávamos uns pulinhos em Caxu para rever a família e a moçada. Foi aí que vi Sergio tocando violão, compondo e abusando de cantar uma música chamada Viajar de Trem. Cantava muito nas visitas que fazia a varanda do Geraldo Sobrosa, vizinho de Marcio Baiaco e Deltinha Madureira.
Em seguida, nos chega as mãos aqui em Vitória um disco da CBS, agora Sony com o titulo Sociedade GranOrdem Kavernista. E lá estava o Sergio com Rauzito e Mirim Batucada, num disco muito inovador para a época. E nascia o Sergio musico, que até a gente desconhecia. Depois vem o Festival Internacional com o Eu Quero Botar Meu Bloco na Rua e nunca mais vimos o Sergio até o seu desaparecimento prematuro. Ao contrário talvez de Raul Seixas, Sergio não gostava de rock e era dócil como ser humano. Mas não podemos nos aliar a toda essa manifestação em tôrno de seu nome, pois vivemos juntos uma fase de inicio de maturidade, num ambiente sadio e muito profissional.
Eliakim Araújo no seu site noticioso online Direto da Redação, afirma no seu currículo no fim de pagina que já foi âncora na Globo, na Manchete e no SBT e que também ancorou o primeiro jornal de língua portuguesa nos USA, sendo que no fim colocou que foi noticiarista da Radio JB. Pois bem Eliakim. Você deveria colocar te sido noticiarista da JB como primeiro de tudo, onde tudo começou, não foi mesmo?
MENSAGEM FINAL
Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda. Provérbio Chinês

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