BAIRRISMO ATIVADO
Lemos a crônica de Geraldo Hasse aqui no nosso SeculoDiario em que ele aborda umas tiradas literárias do nosso Rubem Braga. Inclusive o título da crônica do Hasse era justamente Síndrome de Rubem Braga. Transcrevemos um trecho da crônica: “Pois nessa crônica singela o cronista nascido em Cachoeiro de Itapemirim soltou esta frase incrível, que transcrevo completa, para que não haja dúvidas quanto à autoria ou intenção: "Mas eu não sou o Jorge Amado, nem mesmo baiano, sou capixaba, o que é uma fórmula geográfica de não ser coisa nenhuma".
Bem, todos que gostam de boa literatura, conseqüentemente de Rubem Braga, sabem perfeitamente que ele era um bairrista nato. Tem inúmeras crônicas famosas que ele sempre atribui o nome da cidade de Cachoeiro. Tanto que seus pares, como Vinicius, por exemplo, dizia conhecer e amar Cachoeiro de tanto que Rubem falava da terra, coisa que só cachoeirense nato faze com alarde, ou seja, aqueles nascidos e concebidos lá. Tem uns, que embora tenham nascidos lá, não honram a causa.
Acredito, caro Hasse, que Rubem se referiu ao Espírito Santo, talvez aborrecido, como todos nós capixabas, em ver que nosso Estado estar espremido entre os grandes da Região Sudeste, impedido de progredir, e ser fuga, como agora, para marginais vindos de lá. Talvez, caro Hasse, Rubem se referiu desta maneira, de sentir sua amada e querida Cachoeiro pertencer a este Estado e sofrer também, um pouco, deste caso. Com petróleo tudo, como agora.
Tanto que da mesma forma, ele se referiu, ao “Golfo de Minas” onde ele escreveu “que sugeria que o Oceano Atlântico cobrisse o território capixaba, dando forma ao golfo de Minas” Isso justamente por ver e sentir a “invasão mineira” á nossas praias, nossa capital, nossos empregos, etc. Caro Hasse, acho que todas as duas citações foram tiradas irônicas do nosso Rubem, com destino certo, talvez uma forma de protesto branco, com o orgulho ferido. Veja bem, não o orgulho Cachoeirense propriamente dito, mas o orgulho capixaba.
Peço desculpas para sairmos em defesa do Rubem Braga. Mas pensando bem, quem somos nós? Sabemos também que se você chegou a escrever esta belíssima crônica, foi justamente pela admiração ao nosso ilustre nativo. Não sabemos se o defendemos á altura – e ele nunca vai precisar disso – mas foi o ímpeto do bairrismo, um bairrismo que ele mesmo ajudou a implantar na gente de Cachoeiro, e que se tornou famoso no Brasil e em algumas partes do mundo onde haja um cachoeirense. Um abraço Hasse.
MENSAGEM FINAL
Um jardim faz-se de luz e sons - as plantas são coadjuvantes. Roberto Burle Marx

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