sábado, 4 de junho de 2011

O CAMINHÀO DO McDONALD

O que vamos contar aqui aconteceu quando fomos viver nos Estados Unidos. Estávamos morando na Califórnia e trabalhando na Pizza Hut de Manhattan Beach. Nosso turno era o primeiro e fazíamos “delivery”. Mas toda quarta e sábado pela manhã, aquele caminhão imenso da Pepsico aportava no pátio para descarregar os insumos da pizzaria. O motorista era sempre o mesmo e era só ele. E nós, que esperava para orientá-lo com a mercadoria de trigo misturado, os peperones, os queijos, etc, etc.

Foi com Steve que aprendemos muitas gírias usadas no dia a dia americano, termos esses que nunca se aprende na escola ou cursos de inglês, como “piece of cake” para exemplificar alguma coisa fácil. Ou “what’s up” que substitui malandramente o “What is happening” e por aí vai. Ás vezes, em plena PCH – Pacific Coast Highway – uma das maiores vias que corta a costa do pacifico e passa por dentro de muitas cidades, como Manhattan Beach, a gente cruzava nas “boulevards” com o Stevie e o caminhão buzinava ou piscava os faróis ao passar por nós. Ele já conhecia o nosso “cabriolet”

Hoje, vez em quando, vemos um caminhão parecido com o do Steve aqui em Vitória, que vem abastecer o McDonald, também as quartas e sábados, igual lá. E quando o vemos, bate uma saudade daquela época, que entre outras coisas, serviu para educar as crianças numa cultura um pouco mais avançada. O processo de descarregamento deve ser o mesmo. Um só motorista e a ajuda da meninada do estabelecimento. Mas nunca tinha visto o rosto do motorista. Quer dizer, só via o caminhão e batia a lembrança.

Um sábado destes, vindo da praia cedo – onde sempre vamos dar umas braçadas, ao atravessar as pistas da Avenida dos Navegantes, agora Américo Buaiz, parávamos na pista central, a esperar passar os carros e atravessar a segunda para vir embora, quando olhamos, indo no sentido norte, talvez saindo do Shopping, o tal caminhão. Resolvemos ficar ali, no meio do canteiro e ver o caminhão passar perto, bem ali e talvez ter uma lembrança mais forte dos tempos da Califórnia.

Notamos que o caminhão estava diminuindo a marcha e os carros se enfileirando atrás dele. E ele foi parando bem perto da gente. O motorista parou o caminhão e disse para nós. Senhor! Onde pego a Reta da Penha?. Logo conosco, logo para nós que havíamos parado ali para vê-lo passar sem que ele soubesse do nosso intento. Alí estava a cena: Aquele grande caminhão parado no meio da pista, com os alertas ligados, e nós dando uma informação a um outro Steve da vida meio perdido em nossa terra. São coisas que só Deus dá de presente quando estamos sentidos e a gente acha que é coincidência....

MENSAGEM FINAL

Você não pode testar a sua coragem com cautela. Annie Dillard

Nenhum comentário:

Postar um comentário