quinta-feira, 9 de junho de 2011

DO INTERIOR PARA A CAPITAL

De primeiro, o radio do interior era riquíssimo. Eram AM’s e com isso quem começava por lá sabia fazer de tudo um pouco que uma emissora de rádio exige. Radio Am do interior tinha programas de auditório, programas de estúdio, rsadionovelas, transmissões externas de futebol, cobertura de show do cantor famoso que geralmente cantava em público, etc.

Lá, operador de áudio falava em microfone, o programador musical era locutor, o locutor era narrador esportivo, e as vinhetas tinham de ser criadas na hora, naquele exato momento. Fora o cobrador que era operador de externa e o servente, como sempre, um excelente operador de mesa. Quando o profissional do interior vinha para a capital, geralmente dava um show de rádio, pois sabia fazer qualquer coisa.

Hoje, mudou muito. As rádios do interior, na sua maioria, são emissoras FM’s, trabalhando através de softwares e quem aprende, se limita a um computador e seu soft, geralmente conhecendo um ou dois, não passando disso. Sabem fazer suas montagens – que eles acham ser únicas – esquecendo que conhecem apenas programas de computador.

E aquela “gambiarra” para substituir o link? E a substituição da chave A para ter mais um canal naquela mesa plana? E o transformador para eliminar o “rumble” – que se chama rame na nossa linguagem – do microfone, geralmente comprados na casa de som da esquina?
A RF na torre? E o ganho de antenas sem a Anatel perceber?
Quem começa em Fm, geralmente não tem mais esses conhecimentos. Ou tem, mas parcialmente. Conhecimento de estúdio todos têm, mas é pouco para dominar uma radio inteira.

A faculdade peca justamente neste ponto. Toda essa gama de conhecimento é necessária para qualquer funcionário, aliando o domínio completo na área de informática de rádio. Os alunos de hoje tem muita teoria – que é importante – e pouquíssima prática. Esta se resume aos estúdios que as faculdades têm, mas que no máximo, o aluno aprende a mexer em softs.

Morreu o conhecimento que o interior possuía sobre a capital, onde o rádio sempre foi segmentado nas suas funções internas. Nos continuamos a acreditar e respeitar aquele que sabe de tudo um pouco do veículo. Tem poucos, pouquíssimos. Infelizmente.
PENSAMENTO FINAL

O amor não começa e termina do jeito que achamos que ele faz. O amor é uma batalha, o amor é uma guerra, o amor é um amadurecimento. James Baldwin

Nenhum comentário:

Postar um comentário