A BURRICE NACIONAL
No setor de atendimento, a telefonista, ou recepcionista falava tanto gerúndio que dava até náuseas em que ouvia aquelas arquitetadas frases pronunciadas logo de manhã. Ela estava fazendo o que hoje chama de telemarketing. Destreza e atenção ao lidar com um cliente.
Só que tiveram cursos para aprender, já que o telemarketing opera mais com vendas, ou para atender bem, através de recepcionistas espalhadas por aí, geralmente cursando o segundo grau, claro.
No inicio, quando ainda era novidade – uns dez anos antes, mais ou menos, tinham cursos de telemarketing, cursos que foram traduzidos dos livros em inglês - como sempre – por alguém não muito “chegado” á língua de Tio Sam, isto é, sem aquela vivência nativa. E aí que começou essa febre burra que toma conta do país em todos os lugares.
Aí, no livro em inglês devia estar algo assim: “Hold on, I will be transfering your call” no que foi traduzido ao pé da letra como: “Um momento. Vou estar transferindo sua ligação” E todos decoraram assim, errado. Inclusive, ao se conversar normalmente em inglês, lá, quase não se usa o verbo “BE”. Por exemplo, na mesma frase, fala-se desta maneira no dia a dia: “Hold on. I will transfer your call”
No inglês coloquial está: I will be sending, que seria simplesmente “Estarei enviando ou mandando”. O telemarketing, traduzindo ao pé da letra transformou isso em “Vou estar enviando ou mandando” dá para ouvir essa agressão em qualquer parte, em qualquer nível, em qualquer tipo de conversa, fora aqueles que operam o telefone tentando convencer os outros de uma compra ou marcando consulta, etc.
É a mesma coisa do vício de linguagem, ou melhor, da preguiça de pensar para falar. Então sai da boca com mais facilidade o modismo, como “Extremamente” e o lendário “Com certeza”. O Presidente Lula aplica direto a palavra “extremamente” na sua já estreita coletânea de adjetivos.
Sobre a febre do gerundismo, o professor Pasquale, irritado, fala que o gerúndio deve ser aplicado sim, mas corretamente, como ele explica neste texto: “Quando se diz, por exemplo "Não me telefone nessa hora, porque eu vou estar almoçando", indica-se um processo (o almoço) que terá certa duração, que estará em curso, mas - santo Deus! -, quando se diz ''Um minuto, que eu vou estar transferindo a ligação", emprega-se a construção "vou estar transferindo" para que se indique um processo que se realiza imediatamente. Quanto tempo se leva para a transferência de uma ligação? Meses ou segundos? O diabo é que, para piorar, "Vou estar transferindo" é uma verdadeira contorção verbal, que substitui, sem nenhuma vantagem, a construção "Vou transferir", mais curta, rápida, direta - e apropriada.”
Sacaram? Pois bem, vamos fazer guerra a mais essa mania lingüística burra que grassa no país de Lula”.
MENSAGEM FINAL
Os melhores livros ainda não foram escritos. E o melhor ano ainda não foi vivido. Berton Braley

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