RUI E ELYAN (PARTE DOIS)
Em Cachoeiro deixamos amigos. Quero dizer, deixei porque saí e eles ficaram. Entre eles, Rui Guedes Barbosa, um dos responsáveis pelo pouco que aprendí em radio, principalmente o gosto de pela musica e o outro, Elyan Peçanha, com quem eu gostava de conversar, já que sou um pouco arredio a conversa.
Recentemente, Rui Guedes, aposentado, começou a escrever no jornal eletronico local (acho que podemos dizer assim) sobre cada um dos personagens de sua época. Elyna Peçanha foi o primeiro. Eu quis colocar aqui, talvez para matar saudades, talvez para homenagear. Vamos ver o que Rui escreveu sobre Pipico:
Como exemplo do seu extraordinário talento, vale relatar um fato marcante. Quando foi convidado por Osvaldo Amorim a colaborar com a revista semanal Bolas e Brotos, Elyan resolveu fazer algo inédito: produzir uma edição sobre o baile de gala do Caçadores Carnavalescos Clube simultâneamente à sua realização! Isto foi feito da seguinte maneira, numa época em que os jornais eram compostos à mão pelos tipógrafos e as fotos com clichês de metal:
a) Elyan selecionou, antecipadamente os clichês com as fotos de bailes dos anos anteriores, com personagens que, certamente, estariam presentes naquele ano, devidamente enfatiotados com seus trajes a roigor, (Dr. Elviro de Freitas, Dr. Wilson Rezende, Dr. Deusdedit Baptista, Dr. Mauro Costa e Dr. Carlinhos Sardenberg, entre outros notórios pés-de-valsa), cada um com sua respectiva esposa.
b) Preparou, então, a notas da coluna social daquela edição especial, deixando-as em ponto de impressão.
c) As demais páginas do jornal foram impressas antecipadamente, deixando por último apenas a capa e a coluna social.
d) Deixando o gráfico Daladier de plantão no jornal, Elyan compareceu ao Caçadores, anotando as pessoas presentes e anunciando, ao mesmo tempo, que a edição especial do Bolas e Brotos iria circular ali mesmo, antes do fim do baile.
e) Dito e feito. Elyan volta rapidamente à redação, (que ficava no sub-solo do Itabira Hotel), elimina os clichês dos ausentes, acrescenta novos clichês e legendas, imprime e, pouco tempo depois, regressa ao clube, distribuindo, triunfalmente, a histórica edição, recém-impressa e ainda cheirando a tinta!
Capítulo 5 – Os parceiros - As parcerias, artísticas ou profissionais, mantidas por Elyan Perçanha ao longo da vida, são dignas de registro. Iremos lembrar algumas, dada a sua importância. A primeira foi com seu pai, Guilherme Azevedo, de quem herdou o faro e o talento para o fotojornalismo. A segunda engloba os radialistas José Roberto Mignone e Cliveraldo Miranda, formando um o primeiro trio de discjokeys do rádio capixaba, comandando, nas tardes de sábado, o programa “Rota 66”, na velha ZYL-9 – Rádio Cachoeiro, no início da década de 60. Outra parceria marcante foi com o locutor José Carlos Dourado, para o qual produziu o quadro “Quem sabe, sabe. Quem não sabe, bate palmas”, no “Dourado Show”, apresentado inicialmente nas tardes de sábado no Ginásio Nelo Borelli, e, posteriormente, no cine Broadway domingo pela manhã. Mais uma parceria de destaque: formando com o jornalista Paulo Garruth uma dupla dinâmica na cobertura de fatos marcantes do sul do Estado para o jornal A Gazeta. E com o comentarista esportivo Luiz dos Santos Neves (Luiz 90), seja como colunista ou como jurado nos concursos “Garota Tribuna”, promovidos pela rádio Tribuna FM a partir de 1985. E, é claro, comigo mesmo, como empresário ou divulgador dos inúmeros grupos musicais que formei ao longo destes cinqüenta anos de convivência e de sólida amizade.
MENSAGEM FINAL
A saudade é um pouco dessa incerteza da separação. José Américo de Almeida

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