RESISTENTE AO TEMPO
Caminha pelas manhãs nas ruas da Praia do Canto, anda pelas areias da praia também. Ás vezes com uma máscara contra gases no nariz, que segundo ele, é para chamar atenção. Anda de calção, camiseta e largo chapéu de palha. Coisa de maratimba, afirma. Nas mãos carrega copias xerox de um escrito. Ali é o Boletim JF. Chegou ao numero 618. Segundo ele, de tres anos para cá. Embora já vinha escrevendo bem antes, porem nunca contando.
Estamos nos referindo a enigmática figura humana de João Felipe Abdenur, 75 anos, capixaba de Itaipava, mais precisamente da localidade do Gomes. Diz ser escritor, mas na verdade é um velho aposentado da extinta Cia Ferro e Aço de Vitória por onde trabalhou 22 anos. Elemento crítico e analista. Diz ser descendente de libaneses (Abdenur), junto com português (Gomes) Gosta de escrever coisas do passado, como gosta de predizer o futuro com suas elucubrações.
O motivo de seus “boletins” é por gosta de escrever. Já colaborou com a Gazeta de 1962 á 1998, quando Café assumiu. Parou de colaborar por divergências. Em conversa calma e bem explicada, João Felipe resume os dias atuais como voltados para a economia. É o que vai prevalecer no futuro por causa do petróleo na costa capixaba. Aliás ele presenciou uma profecia em 1946, quando um velho nativo de Itaipava falou ao então Governador Lindemberg que ali “ ia dar um negocio preto chamado de petróleo mais tarde” .
Sobre a imprensa afirma que a mesma anda pobre de idealistas e rica daqueles que fazem o que o patrão quer. E sem idealistas, fica sem criatividade para fornecer conteúdo para os leitores e com isso fazer crescer a cultura popular. João Felipe, o profeta da transição, perguntado sobre a sua filosofia de vida, respondeu que este é o século da truculência.
O negócio é “ fugir para o interior, voltar a uma vida indígena.” Resumiu
Uma vez, parou perto de um carro com placa de Curitiba. Um dos ocupantes voltou-se para João Felipe e perguntou se o pó preto que estava sobre seu automóvel era uma constante de Vitória. João Felipe explicou o problema da Vale do Rio Doce. O Turista então respondeu: - Não volto nunca mais á Vitória. João ficou sentido com aquilo. Outra, foi afirmar que sabe que tem gente que não gosta de ler seus boletins, mas que o povo brasileiro não tem vocação para leitura
Por fim, questionado por que não usa computador para escrever seus boletins, respondeu simplesmente: Medo de ficar sedentário....Esta é a faceta de uma figura ímpar, que compõe a riqueza poética de Vitória.
MENSAGEM FINAL
Eu parto da premissa que a função da liderança é produzir mais líderes; não mais seguidores. Ralph Nader

Nenhum comentário:
Postar um comentário