CONTRAPONTO
Incomoda a
quem se preocupa. Passa batido para quem apenas olha. Os jornais de Vitória
publicaram dias destes na primeira pagina dois destaques opostos. Os dois
bastante chamativos. Um fazia alusão ao assassinato de um policial covardemente
em Vila Velha. Tinha foto, tinha manchete em faixa escura e chamava a atenção
para a covardia e barbárie.
A outra,
mais embaixo da primeira página, exaltava a vitória do time do Flamengo na
disputa pelo título da Copa do Brasil com manchete, tipo, Gostinho da Vitoria.
A foto de uma quanto da outra eram de duas pessoas de cor, tanto o sargento
assassinato, como o jogador herói do Flamengo. Sem querer lembrar, mas aquele
dia se comemorava o Dia da Consciência negra. Uma coincidência.
O que me
preocupa na pagina e o que o jornal não tem culpa, é que o leitor não teria
tempo de fazer uma reflexão maior sobre o perigo da violência que assolou
qualquer sociedade, principalmente a daqui. Ele (leitor) logo desvia seu olhar
para uma suposta alegria, o empate com saber de vitoria do time mais popular do
país.
Acho que
não outra maneira de se publicar os dois principais fatos do dia anterior, mas
tudo passa batido, como se essa vida fosse uma misto de indignação e alegria,
as duas dependentes uma da outra e não são. Que tal se nesse dia mostrasse a
mesma manchete do assassinato, mas que o resultado do jogo viesse num destaque
menor?
Tive isso
como tema do artigo de hoje, já que quando vi o jornal, eu que sou
flamenguista, torci muito durante jogo, não fiquei feliz com aquela manchete e
aquela foto sobre essa violência misturada com a do jogo. Deveria ser apenas
ela e pronto. Seria mais reflexiva.

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