O VÔO 1907
A dor foi transformada em lembrança. Mas uma lembrança de que eles estavam felizes. Faziam o que gostavam de fazer. Isso já é um alento. Mesmo sabendo que nada substitui uma presença física constante em nossas vidas. O fato é que se o Brasil ficou chocado, a nossa Cachoeiro ficou em comoção e nós consternados.
O grupo desaparecido era composto de contemporâneos. Pessoas que viveram uma época com a gente, embora estivéssemos afastados territorialmente. Embora diversificado, o grupo sempre esteve junto, talvez mesmo, com laços estreitados nos verões de Marataíses, que todos freqüentavam. Dali nascia a vontade de pescar.
Há umas duas ou três crônicas passadas, falávamos de Cachoeiro, da praça, de Newton Braga e da antena delicadíssima dele. Cachoeiro é assim mesmo, até na dor de ter perdido alguns de seus filhos amados, mostra bairrismo, é chorada pelo Brasil e lembrada no mundo. Embora a meteorologia anunciava um domingo de votação com tempo bom, o dia em Vitória e Cachoeiro amanheceu chorando, chovendo, triste e quieto.
Muito chato em saber a noticia do avião que caiu na selva com 150 pessoas. Mas triste ainda, em saber que havia 14 capixabas á bordo, chocante em observar que a metade era de sua terra natal, gente conhecida, de uma época boa.
Como cachoeirense meio consternado, queria deixar aqui uma homenagem, assim meio tímida, meio reservada. No momento ao fato ocorrido, podem ter certeza que eles não se acovardaram perante o inusitado. Viram e sentiram com garra e determinação.
E isso deixa sempre uma lembrança que voltaremos a vê-los novamente pescando em alguma praia nossa. Que sentiremos eles por perto novamente, que ainda existe vida em algum lugar. Porque ninguém sabe como é forte e determinada a força de cada cachoeirense. Só Deus.
MENSAGEM FINAL
Nosso último dia não traz a destruição, apenas a mudança. Marcus Tullius Cicero

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